quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

SURPREENDENTE RADICALISMO

Bandido vem do italiano (bandito).
Vivendo só ou em “bando” é o humano que, fugido à ação da justiça, sobrevive da prática do mal. Um fora-da-lei, como se diz.
Alguém já disse que “índio bom é índio morto”. Não concordo. Concordo se for trocado “índio” por “bandido”. Afinal índio não é bandido. É índio. Mas bandido, bandido é, e para sempre. E estou convencido que não há exceções. Não há porque, não existe a figura do ex-bandido, do bandido regenerado porque, se ele está nessa aparente condição, apenas espera um momento oportuno para agir do mesmo modo como agia.
Por extensão, costumamos ter como bandido todo humano (faço questão de frisar humano) que não satisfaz as nossas “exigências benfazejas”. Não se enquadram, de uma forma ou de outra, no conceito que temos do bem e do bom, havendo “n” deles, de todos os tipos, praticando “n” atos maus.
Em assim sendo, concordo em gênero, grau, número e “dígito”: bandido só presta muito além da pá. E literalmente olvidado. Qualquer bandido. Do rico, airoso, cheirando a perfume francês ao pobre, sujo, fedendo a arrotos e suores.
Quando concordo que “bandido bom é bandido morto” você poderá ficar um tanto apreensivo, chocado, até mal-humorado comigo. E exclamará: não é possível que esse cara assim pense! Mas, penso assim. Sempre pensei. E creio que, pelo menos por enquanto, não devo pensar diferente.
E assim penso porque não me importo sobre o que você pensa de mim, mas o que eu penso de mim mesmo.
Pois é. Aliás, para que alguém seja tido como bandido depende só de algumas evidências exteriores, inclusive do enfoque que possamos dele fazer.
Por isso creio que grande parte dos heróis são bandidos.
Is porque não é difícil encontrar um bandido na História e que também difícil não é considerá-lo como tal.
Napoleão foi herói mas morreu como bandido, taxado de “Inimigo Público da Paz Mundial”. Imagine! Só depois de 1821 é que efetivamente os donos da velha Europa de fato aliviaram-se do meliante.
O Sr. Virgulino, sua companheira e companheiros. O Sr. Conselheiro, também. O Sr. Xavi-er? Nem se fala!
Virgulino foi morto como bandido. Conselheiro também. Xavier não fugiu à regra.
Creio piamente que, enquanto por aqui, em algum lugar, alguém está berrando ter sido Xavier um herói (bobo, pobre, mas foi, hoje na aparência confundido com Jesus), no mesmo instante um outro alguém, em outro lugar, está dizendo que ele foi um traidor, portando bandido.
Pense em Domingos Fernandes Calabar e seja holandês.
Alguém já disse que entre o herói e o bandido há apenas um passo. Eu acredito que não há passo nenhum. Só uma olhadela. Eu mesmo considero só como bandido todos os grandes conquistadores de terras, todos os comandantes e senhores de todos os exércitos, todos os donos de todos os países que existiram e que, por ventura, existirão, porque manipularam e manipularão, ao seu bel talante, de uma forma ou de outra, a sorte e até a vida de milhões de humanos, muitos destes sucumbindo de forma trágica, em batalhas mil que só deram glórias aos enjaquetados bandidões.
E quem manipula vida alheia em proveito próprio é bandido.
Alexandre, Aníbal, Gengis Kan, Hitler, Mussoline e Vargas, dentre tantos outros que você e eu conhecemos, foram bandidos. Não se admire, mas Vargas vendeu humanos brasileiros para a guerra a fim de realizar o seu sonho de por aqui implantar uma tal de indústria de base. É só dividir o que “ele” recebeu pela quantidade de humanos “que se foram” e ver quanto cada um valeu em dinheiro. E só os bandidos vendem seres humanos.
Claro muitos foram - e não poderiam deixar de ser - bandidos legais, quer dizer, legaliza-dos por leis muitas vezes por eles mesmos elaboradas, leis que, a seu serviço exclusivo, tanto quanto as armas, os mantiveram no poder enquanto puderam nele estar na qualidade de bandidos.
Interessante aflorar de minha memória, nesse instante, o AI5!
Entretanto, Vargas não morreu como bandido, mas quase. Aliás, já estava caminhando para isso quando resolveu suicidar-se. E seu suicídio o tornou herói.
Conquanto isso seja verdade, Hitler e Mussoline não tiveram a mesma sorte, apesar daquele também suicidar-se. E o que fizeram com este depois de morto nem com um bandido se faz. Trataram-no como se fosse mais que bandido. Digamos ... é ... bandido e meio! Melhor sorte não teria tido seu amigo se tivesse caído nas mãos dos russos. Preferiu suicidar-se e ter o corpo em chamas, mas seu ato não o transformou em herói. Stalim foi anjo, depois bandido. Pinochet e Collor também. Michel Jackson hoje é bandidão de primeira linha. Menem, da Argentina, está sendo julgado como bandido.
Gengis Kan, atuando como bandido, adorava dizer: “matem todos!”. Depois de sua morte continuaram matando, só porque foi uma ordem sua. Interessante o seu sepultamento. Todos os que viram a passagem do féretro foram assassinados, e depois os acompanhantes, pelos soldados guarnecedores do cortejo fúnebre. Estes, por sua vez, também o foram na cidade, quando chegaram. Tudo para não ser revelado o lugar do milionário túmulo, até hoje avidamente procurado por outros tantos bandidos, os que têm gula pelo dinheiro, fama e poder.
Aliás, se a justiça dos homens ou a História não julgam os personagens históricos como bandidos a razão humana o faz. E se não fizerem faço eu. E daí?
Portanto, esses – e outros tantos – são bandidos na medida em que os penso assim.
Pois é. Bandidos acima de todos os bandidos foram os que bolaram a mortífera câmara de gás, a cadeira elétrica, a guilhotina, a bala “dundum”, o lança-chamas e todos os instrumentos de tortura que por aí existiram, existem ou existirão porque tais “belezas” só podem sair da cachola de sádicos, e sádicos também são por mim considerados bandidos. Todos.
A propósito, há humanos, vivos ou mortos, que considero bandidos mas não posso nominá-los porque, se o fizer, poderei ser preso, processado e condenado, ou mesmo assassinado por um de seus “admiradores” bandidos. E eu pretendo morrer de morte natural.
Também considero bandidos todos os donos de fábricas de armas. Não só eles mas, também, os que as idealizam, aprimoram ou usam. Qualquer arma. Seja branca ou “preta”. Da garrucha ao canhão de 70 polegadas, se houver. Da faquinha quicé à lança mais longa do exercido macedôneo.
Imagine o tamanho do bandido que inventou a bomba atômica. E do que ordenou o seu uso?
Será que não são bandidos os que fazem as “Walls Streets” da vida? Pelo que sei especuladores nada mais são que bandidões milionários travestidos em agiotas internacionais. Pense direitinho e me responda se o Sr. George Soros, considerado o “Gênio das Finanças” não é um respeitado e admirado bandidão. Sim, porque, o que ele fez contra o Banco da Inglaterra e contra o Banco Francês, se não for coisa de bandido então eu estou completamente doido!
Por outro lado, maldita a arma língua, pois também considero bandido quem a usa de modo indevido – entenda - ferinamente. “Quem muito fala muito erra” diz o ditado, e quem vive no caminho errado só pode ser bandido.
Um santo, ido em tempos idos, costumava dizer: “Quem fala da vida alheia tem o Demônio na língua; quem ouve O tem no ouvido”. Para o santo todos os que assim procedem são bandidos. Afinal, o Senhor Demo também é considerado como tal.
Também considero bandidos o verdugo e seus amiguinhos carrasco, algoz e carnífice, e os que atiraram no peito de Caneca, também executado como bandido, além dos que deixam aquele ali morrer de fome ou de frio, porque nada me convence poder um humano, de qualquer modo, ceifar a vida de outro humano. Mesmo que seja “em nóme” do Estado, da Justiça, da Indiferença ou do Irracionalismo.
Também foram bandidos os que, “em nóme” de qualquer Entidade Divina praticaram qualquer violência contra o próximo. No Oriente ou no Ocidente, no Norte ou no Sul do Planeta. Ontem, hoje e amém!
Imagino o Sr. Lutero açulando os ricos contra os pobres campônios. O Sr. Calvino, à sorrelfa, agindo em Genebra. O Sr. Torquemada e os “heróis” da Noite de São Bartolomeu.
Na verdade todos os que usam a palavra, políticos ou não, para roubar a consciência alheia são os piores bandidos que há porque, astuciosamente delas apoderando-se, manipulam a razão e, conseqüentemente, o corpo dos outros.
Será que foram bandidos os juízes de Nuremberg? E os venais? São ou não? E os que julgaram Shesman e Jesus?
Você sabia que Jesus foi julgado e condenado como bandido? Os romanos que o digam já que os judeus, como povo, ao que tudo indica, não são responsáveis pela sua execução.
Bolas!
Mas, porque essa radical generalização, perguntará o amigo leitor.
Pelo simples fato de eu ter certeza de que vivemos num mundo povoado de bandidos, onde – o pior - somos candidatos em potencial para nos tornarmos mais um. É só aparecer a oportunidade e ...
Afinal já escreveram em algum livro que se conseguíssemos arrancar a máscara que cobre cada rosto recuaríamos de pavor.
Por isso – não é contra-senço - defendo andarmos armados. Armados com boas armas, certeiras, silenciosas, matadeiras e que, com destreza usadas no momento exato, nos dê o inefável prazer de vermos mais um bandido morto.
Mas é claro! E porque não? Porque só alguns “escolhidos” podem andar armados? Para proteger os desarmados? E você acredita nisso? Em Papai Noel também? Afinal, quem me protege quando estou sendo assaltado ou assassinado? Só se milagre existir porque, pelo que sei, a não ser eu, ninguém.
Poderá o leitor estar de olhos arregalados, não?
Concordo com o leitor. Mas ...
Quer dizer então que, segundo as regras ditadas pelos que podem andar armados para se defenderem quando necessário ou não, eu devo somente entregar ao bandido – qualquer bandido – de mãos beijadas, ou a minha razão, ou a minha consciência ou até mesmo a minha própria vida?! As únicas coisas que verdadeiramente possuo?! Que são minhas, unicamente minhas?! Sem esboçar a mínima reação?! Se for possível até candidamente morrer como um cachorro, só porque os que estão armados me dizem que não devo reagir?! E é?!
Pois, meu amigo, perdoe-me a minha sinceridade mas, alegremente confesso que regozijo-me quando sei está mais um bandido “engavetado” ou “comendo capim pela raiz”.
E tem mais. Com muito prazer tiraria a vida de qualquer bandido. Seria menos um. Afinal o Planeta não precisa de bandidos, mas de humanos. Humanos em qualquer sentido: cachaceiros, piadistas, humoristas, xangozeiros, musicistas, pintores, equilibristas, médicos, astrônomos ... menos bandidos!
E você? Continua a discordar de mim?
Puxa, amigo ... lamento!
E isso me preocupa. Me preocupa porque detidamente olhei para o meu interior e tive uma surpresa!
Já olhou para o seu?
Cala-te boca!








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terça-feira, 21 de outubro de 2008

O BEIJO

O BEIJO


O beijo é bem a imagem do amor mas, por mais ardente e delicioso
que seja, cansa e acaba.
Vargas Villa


A palavra beijo vem do latim basium e consiste em levar os lábios fechados, na forma arredondada, a qualquer objeto e, em seguida, abri-los com uma suave sucção, nesse momento sendo provocado um pequeno estalido, seu característico. Beijinho é rápido, não demorado. A beijoca se ouve à distância. Beijocar é dar beijocas repetidas vezes.
De antemão, o beijo não deve ser confundido com o muxôxo pois este, apesar de também ser considerado um beijo, ser à sua semelhança, ter quase o mesmo som que decorre de uma pequena sucção do ar para dentro da boca, tem por diferenças iniciar com os lábios abertos e ser o estalido provocado pelo abrupto descolar da língua do “céu da boca”. Além do mais, quando dado, significa desdém, desprezo, pouco conta se fazendo de uma pessoa ou coisa.
Entretanto, muxoxar é, por incrível que pareça, dar beijos.
Beijar é um costume antigo, estando o primeiro beijo que se tem notícia registrado no Gênese. Foi dado por Jacó em seu pai Isac, a pedido deste. Narra o Santo Livro que, em conluio com sua mãe Rebeca, Jacó, que já do irmão usurpara o direito de primogenitura, mais uma vez usa da astúcia e consegue enganar o pai, velho e cego, fazendo-o com que o abençoasse em lugar de seu irmão, Esaú. Para tanto a senhora Rebeca envolveu as mãos e o pescoço do seu filho com uma pele de cabra porque, sendo Esaú, o primogênito, a quem verdadeiramente caberia ser abençoado, muito cabeludo, provavelmente Isac iria apalpá-lo para comprovar se era ou não realmente o primogênito, na hora da benção. Mesmo reconhecendo o pai não ser a voz de Esaú, abençoou Jacó porque apalpou na sua mão, quer dizer, na pela da cabra, “convencendo-se” de que realmente era Esaú!
Sem pretender por em dúvida o que narra o Livro Santo, mas, cá para nós, confundir, mesmo pelo tato, pelo de cabra com pelo de gente... Só Isac!
Pois bem. Há vários tipos de beijo, quer sejam inocentes aos maliciosos. Há beijos de submissão, de gratidão, de homenagem, de reverência, de reconciliação, de despedida, espalhafatoso, cinematográfico, espetacular, agressivo, casto, impróprio, de reverência, de língua, sem escrúpulo. Há até os sebosos!
Aliás, diga-se de passagem e em tempo, que para a nossa legislação, ainda em vigor, o beijo pode ser crime, com detenção de três meses a um ano, ou multa desde que, praticado em lugar público, seja classificado como “Ato obsceno. E obsceno é o ato que vai de encontro ao pudor público. Assim o espalhafatoso, o espetacular, o agressivo, o impróprio, o de língua e o sem escrúpulo. E cá p’ra nós, há beijos que ... sabe?
Portanto, não beije quem não quer ser beijado por você e, se em público, cuidado porque você pode se atrapalhar! Pode, disse eu!
Pois é! O de homenagem é levemente e como muita honra dado por um homem na mão de u’a mulher, desta forma curvando-se diante dela em sinal de respeito. O de reverência e submissão é dado na mão no momento de receber a benção.
Os beijos de gratidão, de reconciliação e de despedida freqüentemente são acompanhados de lágrimas.
O interessante é que os amantes apaixonados beijam-se de olhos fechados. Uns dizem que é para sonhar, outros para melhor sentir a sensação de estar beijando, outros, ainda, para dar um pontapé em tudo o que está em volta e se sentirem a sós, exclusivamente a sós.
Suponho não ser. Suponho seja apenas para que o olhar de um não consiga encarar, tão de perto, o olhar do outro porque, se assim fosse, os olhares entrariam tanto um por dentro do outro que um dos dois poderia recuar de pavor, se por acaso conseguisse atingir bem lá dentro e ler o pensamento do outro naquele instante!
Não sei porque, mas muitos cristãos costumam beijar o dedo indicador da mão direita quando terminam de se benzer, ao mesmo tempo pronunciado a palavra “amém”!
O forte beijo dado no polegar, após tê-lo mantido bem colado nos lábios e de onde é tirado de modo mais ou menos violento, significa que a pessoa alcançou, afinal, alguma coisa de há muito por ela pretendida.
Entre os antigos romanos havia o beijo de paz. Logo entre os romanos. Imagine!
Talvez o mais famoso e de funestas conseqüências, que deforma o próprio sentido de beijar e que é tido como o símbolo da hipocrisia, da traição, verdadeira “punhalada pelas costas”, foi o de Judas em Jesus. Beijo que custou, junto com o ato trair, trinta dinheiros. Trinta dinheiros que, jogados depois no chão por quem os recebeu, antes de enforcar-se, serviu para a compra de um campo usado como cemitério para estrangeiros.
Antigamente, lá pelo Oriente Próximo, entre os homens beijava-se a boca e a barba, costume ainda hoje seguido por alguns daqueles povos do deserto arábico.
Lá pela Rússia, até bem pouco tempo, era costume os homens importantes cumprimenta-rem-se com um leve beijo na boca. Cheguei a ver fotografia de algum político assim fazendo.
O beija-mão foi inventado pelos persas sendo um modo de se render homenagem aos soberanos, ainda na Idade Contemporânea.
O beija-pé é uma cerimônia que só e vista ainda com o papado, significando uma expressão de humildade.
Em algumas nações orientais é costume se lançar beijos para a Lua, para o Sol e para as estátuas divinas em virtude de não ser permitido profaná-las beijando-as.
Entre os judeus os rabinos permitem três tipos de beijo: de reverência, de recepção, de despedida. Outros, portanto, não dêem os judeus.
Houve um tempo, na Inglaterra, princípios da Idade Moderna, que todo mundo beijava todo mundo, disseminando-se o costume de beijar de uma tal maneira que um visitante, ao chegar em uma casa, beijava todas as moças que, segundo a crônica, lhes eram ... por demais hospitaleiras. Foram os puritanos, depois da Reforma Religiosa, que acabaram com o costume.
Só poderiam ter sido os puritanos!
A propósito, no ato de beijar, segundo os entendidos no assunto, ocorre uma troca de, pelo menos, 100.000 bacilos. E nessa troca pode – lógico – haver troca de doenças.
Tanto é que, antigamente os árabes beijavam a sagrada Pedra Negra posta no Caaba. Hoje, não mais. Li não sei onde que a proibição decorreu exatamente porque o lugar onde era beijado estava transmitindo doenças.
O momento de beijar, o desejo de beijar, as circunstâncias que envolvem o beijo, assim como quem beija, o modo pelo qual beija, o fim a que se destina, tudo diretamente influencia no beijo.
Tão certo é que, diferente é o sentimento presente no coração de mãe ao beijar o filho que parte para a guerra, do sentimento de quem beija “espichada e sebosamente”, como fazem certos amantes.
Faz parte do ritual da missa o celebrante, em dado momento, beijar o altar em sinal de respeito e submissão à entidade divina.
Um dos beijos mais lindos é o do beija-flor.
Pare, olhe e veja se não é.
O beijo dado repetidas vezes no ar serve para acalmar determinados cavalos meio fogosos que há pelos interiores. Também serve para chamar passarinho ou, chupado, no dorso da mão.
Aqui, no Brasil, durante certa época não muito distante, houve um cidadão que tinha a mania de beijar político. Chamavam-no “beijoqueiro” e era o terror dos homens de palanque. Para tanto violava qualquer cordão de segurança. Violado, tacava o maior beijo no rosto da vítima. Foi preso várias vezes. Desapareceu com o tempo.
O beijo pode ser dado à distância. Alguém beija as pontas juntas dos dedos de uma das mãos, encosta-as na palma da outra mão, põe a palma da mão rente com a boca e dá um leve sopro na direção da pessoa que receberá o beijo. Esta o “pega” com os dedos também juntos, encostando a ponta dos dedos num lugar escolhido do corpo, geralmente na face. Mas, pode ser em outro lugar qualquer do corpo.
No Brasil se beija adoidado. Homem com mulher, mulher com homem, homem com homem, mulher com mulher. Em público e de qualquer jeito. Está até virando moda e normal. Aliás, já há alguns milhares de “normais”, senão milhões. Eu, na minha precoce velhice e sempre inútil boboquice incluo-me, com tantos outros ainda sobreviventes da minha espécie, no rol dos “anormais”.
A propósito, já chamam casal (mesmo contrariando o óbvio e minha inteligência) dois homens que se beijam. Engraçado ... não sei porque ainda não chamam casal duas mulheres que se beijam!
Mas, isso não é em todos os lugares.
Recentemente um presidente do Irão, país atrasado, preconceituoso, retrógrado, cafona, não democrático e babaca resolveu, no dia do professor, em público e muito respeitosamente, beijar a mão de uma sua professora quando ele menino, provocando revolta geral. E olhe que a mão da senhora estava com uma luva, não havendo, portanto, contato corporal com ela e o presidente, coisa que só é permitido entre esposos.
Mas, isso é p’ra lá, lugar de bestalhões e, como tais, não sabem o que estão perdendo.
Por aqui nós, os sabidos, aos poucos e livremente vamos implantando o império da beijocracia, prima legítima da democracia.
Pois é! Ciente tudo isso, beije à vontade!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

QUISERA SABER

Quisera saber

Não sei porque, mas todas as vezes que olho para a figura de Jorge W. Buch fico meditando sobre:
As crises financeiras e as guerras que também foram causas da queda de gran-des impérios.
A nati-morta Virgínia.
Os puritanos do Mayflower, utilitaristas e pragmáticos que, perseguidos em sua pátria ingrata, mas alimentados pela fé, com suas famílias migraram para a América naque-le distante ano de 1620, em busca da liberdade, dedicando-se a leitura da Bíblia, à oração e ao trabalho.
As treze colônias, escoadouro natural de todos os indesejados europeus, onde havia liberdade religiosa, terra barata e gentes de todos os tipos e nacionalidades, ávidas de um enriquecimento rápido e fácil.
Os cristãos “escravos brancos” que se vendiam voluntariamente a fim de por os pés no “paraíso das riquezas”.
O extermínio dos infelizes nativos tidos como bestas selvagens, incapazes, indo-lentes e ladrões de caravanas, submetidos à fome e à prepotência, nem merecendo ser cristianizados e que apenas “atrapalhavam” os colonos e o progresso.
Fico meditando sobre ...
A escravização do negro, sancionada pelos “teólogos Cristãos”, adeptos ou não de Lutero, já na África destribalizado e aculturado; gado humano incapaz de pensamentos nobres e de emoções; parte degenerada da humanidade, portadora de todos os vícios; semovente marcado a ferro e destinado ao trabalho e à reprodução, sem direito à vida, à alimentação e ao abrigo, podendo ser mutilado, esquartejado e até queimado numa foguei-ra; Virgínia e Maryland como centros reprodutores de negros; a infame segregação racial discriminando o negro no trabalho, nas praças e nos transportes públicos, além de surrado, linchado e estuprado pela Ku Klux Klan, Cavaleiros da Camélia Branca e outras expressões de ódio contra os “cidadãos de segunda categoria”.
Martin Luther King
A rápida destruição da fauna e da flora em todo e qualquer pedaço de terra onde pusesse os pés e se firmasse o tal “colonizador”.
O liberalismo econômico, a Guerra dos Sete Anos, a Guerra e da Declaração de Independência.
A maravilhosíssima Constituiçãozinha.
A Doutrina Monroe e seu corolário Polk; Willian Mckinley e sua incontrolável sede de imperialismo; Roosevelt com o seu “grande porrete”; a “América para os norte-americanos” e a futura “norte-americanalhização da América Latina”.
A devastadora “marcha para Oeste”; a felicíssima idéia de “fronteira móvel”.
O “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
O surgimento dos mórmons calcados na fé inabalável do Senhor profeta Joseph Smith, tão importantes no papel evangelizador do Oeste.
A indústria do cinema e o “american way of life”; o Destino Manifesto, fincado na idéia da predestinação absoluta, na proteção da Divina Providência e na “missão civilizadora do Planeta”; a louvável idéia de igualdade entre os homens, desde que não mexicanos, índios, negros ou imigrantes.
O vantajoso Tratado de Guadalupe-Hidalgo e o violentíssimo ouro da Califórnia.
Fico meditando sobre ...
Os “self-mad mans” ou “barões ladrões”; a ausência do Estado na economia; o “cowboy” com seu inseparável cavalo, sua sela, seu revólver e seu “salve-se quem puder”; o Acordo do Missouri; a Guerra Civil com “apenas” 600 mil mortos; a marcha destruidora de Sherman contra o Sul.
O profético Simon Bolívar: “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providên-cia para cumular a América de misérias, em nome da liberdade”
O mais “sublime e perfeito regime democrático”; a cadeira elétrica, a câmara de gás e o fraudulento processo criminal de Sacco e Vanzetti.
A eterna busca pelo bem-estar material nada escapando à gula e à lógica do di-nheiro; a “multidão solitária”, vazia em seu interior, perambulando sobre as ruas e avenidas do “Amiguinho do Norte”.
As ferrovias ligando o Atlântico ao Pacífico, atrás dela o telégrafo e o telefone; o sempre inalcançado desejo de progredir; a Wall Street, lógica feroz do capitalismo cínico e selvagem; Rockefeller sujo de petróleo; Pullmann transportado em seus vagões ferrovia-rios; Bould, telegrafando e telefonando diuturnamente; Dupont de Nemours atolado em seus produtos químicos.
A prática do “dumping” gerando trustes, cartéis e transnacionais.
A burguesa “Idade de Ouro”; a xenofobia e do etnocentrismo.
O “nascimento” do Panamá e o “caráter perpétuo” do Canal.
Cuba, Fulgêncio Batista, a Emenda Plat, a invasão da Baia dos Porcos e o bloqueio.
Reza Pahlevi.
A “invertida” Lei Sherman.
Fico meditando sobre ...
Os assassinatos ocorridos no teatro, na estação de trem, em Buffalo e no Texas.
A I Grande Guerra; o medíocre Wilson e seus estúpidos e gozadíssimos 14 Pontos de Paz, só um salvo, mas de nenhuma valia; os banqueiros e fabricantes de armas efetiva-mente sempre os únicos beneficiários.
A Lei Seca; os gângsteres explorando o jogo, a prostituição, coniventes com policiais, juízes e políticos corruptos; as negociatas e negócios escusos entre autoridades e empresários importantes; a “quinta-feira negra”.
A “Diplomacia do Dólar”.
As “Portas Abertas” de Hay.
As operárias da fábrica Cotton e o 8 de março, “Dia da Mulher”.
Roosevelt “O coveiro da América” com o seu caseiro “New Deal”, seu pontapé no liberalismo econômico, suas “missões civilizadoras”, suas “expedições punitivas” e suas “cruzadas”.
A Lei da Neutralidade. A II Grande Guerra, Pearl Harbour, Midway, Bikine e as certeiras e inolvidáveis bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaky; a Carta do Atlântico; o beneficiário da Segunda Grande Catástrofe; a tentativa de dolarização perpétua do Planeta.
A San-Franciscana ONU; o plano Marhall só para o Tio San; a mutilação do cultura nipônica.
O apoio à formação do Estado de Israel em virtude do poderoso “lobby” judeu no coração do nosso “Grande Irmão do Norte”.
Os “hipiies” e a difusão do uso das drogas.
A coca-cola e o macdonald.
Fico meditando sobre ...
O místico e desmistificado casal Kennedy; a Aliança Para o Progresso
A Guerra da Coréia; a tragédia do Vietnan, suja e sem nenhuma grandeza; a napalm e o agente desfolhante; o abandono dos “amigos do Sul” à própria sorte.
Nixon com o seu Watergate.
O cinematográfico Regan o “Robin Hood às avessas” com o seu escândalo do “irã-contras”.
A estagflação.
O medíocre político provinciano Truman com sua doutrina montada para manter funcionando o complexo militar e industrial do seu Colosso do Norte.
A Guerra Fria e a OTAN
A intervenção na República Dominicana
O histérico, inconseqüente e paranóico macarthismo fruto do não menos histérico, inconseqüente e paranóico McCarthy.
A utópica “Grande Sociedade” de Johnson.
Os Bush: o pai melado de petróleo e sujo das armas para Bin; a Guerra do Golfo; o filho e o “ódio negro” contra Bin.
A venda de armas a Taiwan, no valor de US$ 6,5 bilhões, para “desgosto” da China.
A segunda grande crise financeira que o Planeta enfrenta novamente tendo como núcleo o famigerado capitalismo da Wall Streat.
As crises financeiras e as guerras que também foram causas da queda de grandes impérios.
Pois é!
E continuando a meditar sobre estas e tantas outras coisas abestalhado me pergunto:
Por que ainda algum ser vivo continua acreditando nesse país?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

NÃO BRINQUE COM O SAGRADO

Reiteradamente tenho dito e escrito que antes de morrer – estou certo que não viverei mais a quantidade de anos de vida que agora tenho – ainda verei e saberei de coisas que nunca esperei ver ou saber, ou mesmo houvesse possibilidade, mesmo remota, de terem existido ou acontecido.
Claro! Só tomamos conhecimento do que existiu ou do que aconteceu se satisfizermos a nossa curiosidade, a nossa vontade de saber. Caso contrário permaneceremos na mesma ignorância. Em assim sendo, posso afirmar “com os outros” que três coisas não boas há nesta vida: saber e não ensinar, ensinar e não fazer, ignorar e não perguntar. E a estas afirmações posso também adicionar outras “coisas dos outros” como regras essenciais do saber: quem não ler, mal ouve, mal fala, mal vê.
Daí concluo nada melhor existi do que o saber. Entretanto, impossível meter na cabeça um conhecimento universal, como afirmam ter tido o Sr. Leonardo, o de Vinci, perto de Florença, ou como pretenderam aglutinar em uma só obra os franceses ao elaborarem a sua Enciclopédia. Daí resulta, evidentemente, pouca coisa conhecermos dentre tantas outras das quais nem tomamos conhecimento.
E lógico, como humano, também me tocam em mim estas regras limitadoras do meu conhecimento
Senão, leia o que se segue e tire as suas próprias conclusões.
Por exemplo: Eu já sabia que a religião surgiu lá pelo Paleolítico Superior em forma de Magia Simpática e que foi no Neolítico onde surgiram os ritos, os mitos e as cerimônias.
Já sabia que a primeira e verdadeira revolução intelectual humana ocorreu com a passagem daquela religião primitiva para um tipo de pensamento que se baseou numa crença, não só em entidades divinas, como também em uma explicação filosófica do universo.
Já sabia que a religião poderosamente contribuiu para a formação do Estado.
Já sabia de muitas outras coisas contidas no razoável tempo que cobre longo período da História e havidas em determinados lugares mas que, agora, rapidamente passo de relance sem a elas me ater, ou neles me deter, essas coisas que envolvem o nascimento, vida e morte de antigas civilizações.
Ultrapassado tão longo período, já estamos em época bem adiantada e nela eu já sabia ter Jesus de Nazaré nascido ao tempo de Otávio e ter sido executado sob Tibério; ter seu apostolado tido a duração de cerca de três anos; não ter tido uma ocupação regular, não ter tido um lar, mas ter tido uma vida ascética fazendo-se acompanhar por humildes discípulos. Ter defendido pobres e oprimidos. Ter ido de encontro a cobiça, a impostura e ter afirmado que, por meio da fé e do arrependimento, poderia o humano acalentar a esperança de uma salvação em um outro mundo.
Já sabia de suas sublimes palavras: não façais ao outro aquilo que não quereis que vos façam a vós próprios.
Já sabia que os judeus, como povo, não devem ser responsabilizados pela sua crucificação.
Já sabia da contribuição do incansável Saulo, de Tarso, também conhecido como São Paulo, judeu do Diáspora, para a difusão de sua inabalável crença, uma nova crença, em solo estranho nascida, mas que dele deveria se desvencilhar e correr mundos, pois foi ele quem acentuou a idéia de Jesus ter sido um cristo, um Deus homem, morto na cruz para expiar os pecados de toda a humanidade.
Já sabia da sorte de Pedro e de tantos outros cristãos primitivos.
Já sabia da influência do zoroastrismo, do gnosticismo, do judaísmo e da filosofia estóica para a formação do cristianismo.
Já sabia das razões do seu triunfo, dentre elas o Edito de Tolerância, de Galério, da possibilidade de participação da mulher no culto, das sistemáticas perseguições que sofreu, de ter possuído, diferentemente das outras crenças, um fundador bem definido e humano.
Já sabia que a nova crença derramou-se em solo propício e que exerceu profunda atração sobre pobres e oprimidos, além de possuir u’a moral altamente democrática e priorizar a humildade, a brandura e o amor aos inimigos, como virtudes basilares
Já sabia das suas primeiras divisões quando surgiram os chamados cristão subordinatistas: nestorianos e arianos, além dos não subordinatistas, como os atanasianos, os gnósticos e os maniqueus
Já sabia da formidável contribuição da Igreja Cristã, então já hierarquizada em patriarcas, metropolitanos, bispos e sacerdotes, durante a Idade Média, na ajuda civilizadora dos bárbaros, na preservação e transmissão da cultura antiga e no estímulo aos ideais de justiça social.
Já sabia da instituição do Papado, da Doutrina da Sucessão de Pedro, da popularidade do ascetismo, do monasticismo, bem como da formação do clero regular e do clero secular.
Já sabia da existência de um Tertuliano, o cartaginês, de um Santo Ambrósio, de um São Jerônimo, de um São Gregório Magno, de um Clemente, o alexandrino; de um Orígenes; de um Santo Agostinho, o bispo de Hipona, influenciado pelos neoplatônicos, com suas Confissões, sua Teoria da Predestinação, no futuro admirado por Martinho Lutero todos, ao seu modo, contribuindo para o desenvolvimento da fé em Jesus.
Já sabia das bizantinas heresias monofisita e iconoclasta, esta importantíssima para o primeiro grande rompimento da Igreja Cristã Romana, o chamado Cisma do Oriente e o surgimen-to da Igreja Cristã Ortodoxa, braço oriental da Cristã Romana.
Já sabia do novo cristianismo proposto por São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, tendo a teoria do clero e a dos sacramentos como elementos essenciais; do Quarto Concílio de Latrão com a imposição da Doutrina da Transubstanciação. Da adoção da Confissão Auricular, da Excomunhão e do Interdito como meios de manter as populações sob a fé em Jesus.
Já sabia do surgimento dos mosteiros com seus monges, dos beneditinos, dos de Cluny, inimigos da simonia; da Ordem Cartuxa, da Cisterciense. Do surgimento dos frades, com São Francisco de Assis e seu naturalismo, sua veneração aos santos e à Virgem Maria; dos Dominicanos, fundada por São Domingos.
Já sabia do Cativeiro Babilônico, das lutas pelo poder entre a Igreja Cristã (espiritual) e os chefes de Estado (temporal) resultando no chamado Cisma do Ocidente; das Cruzadas e do problema Savonarola.
Já sabia da venda de Dispensa e de Dignidades Eclesiásticas, das Indulgências; dos Sacramentos, das Cerimônias, da veneração às relíquias sagradas, da autoridade absoluta do Papa, da teoria de ser o clero imprescindível como intermediário entre o humano e a divindade, da intrigante doutrina do Tesouro de Merecimento, do Milagre da Eucaristia, do Vintém de Pedro, da teoria do Justo Preço, do celibato clerical, boa parte negados os seus valores pelos Humanistas.
Já sabia sobre os místicos Henrique Suso, do Mestre Eckhart, de João Taualer; sabia sobre João Wiclef e João Huss lá pelos idos do século XVI.
Já sabia sobre Tetzel, sobre Lutero, sua excomunhão e desapoio à Revolta dos Campônios; das dietas de Worms e de Spira; da Doutrina da Consubstanciação; de Melanchton e da Confissão de Augsburg, dos anabatistas; de Zuinglio, Calvino, Henrique VIII, Gustavo Wasa, João Knox; das Guerras de Religião e da fragmentação da Igreja Cristã Católica Romana. Do Concílio Tridentino, da Companhia de Jesus. Do inconseqüente e ressurgido Tribunal da Santa Inquisição. Da crença na feitiçaria. Da Noite de São Bartolomeu. Do destino de Giordano Bruno, de Miguel de Servet e de milhares de outros humanos, especialmente mulheres. Da atuação de Montaigne contra os insensatos desatinos das “Igrejas Cristãs”.
Já sabia da atuação, em “nóme” de Jesus e da Santa Igreja Cristã, não só dos próprios cristãos uns contra os outros, como também contra os nativos dos quatro cantos do Planeta.
Pois é, meu amigo. E se eu lhe disser que também já sabia sobre a Doutrina Social da Igreja Cristã Católica Romana com suas famosas Encíclicas Rerum Novarum, Quadragesimo Anno e Mater et Magistra “vóimicê” em mim acreditaria?
Sim ou não? Bem, deixa p’rá lá porque de nada adiantaria eu tentar convencê-lo.
De qualquer modo, sabias que eu sabia de muito mais coisas, muito mais, aqui apenas lembradas a título de exemplos? Inclusive sobre os Srs. Macedo e R.R. e tantos outros Edires e Erres que por aí há, fazendo o que estão fazendo e consigo arrastando delirantes multidões? Sobre a vida pregressa e desaconselhante do Ilmo. Ex-Sr. e Ex-bruxo Tio Chico, revelada em seus “belíssimos e edificantes testemunhos”?
Que eu sabia até daquele Jesus efeminado que aparece na internete, no tal do “iutúbi”.
Acredite ... sabia. Sabia mesmo!
Agora, mêirmão (permita-me assim tratá-lo) o que eu não sabia – pasme de espanto também – é que estão procurando o prepúcio de Jesus. Com as mãos tapando a boca de supino gaguejo; San, Santo Deus! E vou repetir com letras maiúsculas e em negrito para você (permita-me também assim tratá-lo) não ficar com dúvida nenhuma: ESTÃO PROCURANDO O PREPÚCIO DE JESUS!
Prepúcio, para quem não sabe, é a pele que cobre a glande no pênis do homem. E os judeus não a tem por força de uma aliança imposta entre sua entidade divina e a pessoa hebraica de Abraão, mas que estendeu-se a todo o Povo Escolhido, consubstanciada tal aliança no Pentateuco, Livro Gênesi, capítulo 17, versículos 8° ao 14°.
“O indivíduo do sexo masculino, cuja carne não tiver sido circuncidada, uma tal alma será exterminada do seu povo, porque violou a minha aliança”, vaticina texto sagrado
Pois é, mêirmão. Sendo a dita aliança firmada muito antes de Jesus nascer, e sendo ele judeu nato, obrigatoriamente foi, por simples imposição da divindade, circuncidado oito dias após seu nascimento, senão teria sido “exterminado” do seio do seu povo. Até há pinturas retratando a pequena operação a que o submeteram, dentre elas a de Frederico Bardottix, de 1590, época em que a “coquelúxe” era o culto à circuncisão.
Claro que sendo uma criança diferente das outras o seu prepúcio representaria algo de divino, sendo a santa pele conservada em um jarro com essências aromáticas. Entretanto, afora esse pequeno detalhe, não há nenhuma outra prova física da passagem de Jesus entre nós - e isto é um atormentante problema - sobremodo porque ele, ao terceiro dia, ressuscitou dos mortos e subiu aos céus.
Certo que durante muito tempo fiéis veneraram outras Santas Relíquias, que poderia ser um vidrinho com uma gota do seu santo sangue, ou com sua santa lágrima ou com uma do seu santo suor. Um pedacito de sua santa cruz ou um fio do seu santo cabelo encrustrado, um ou outro, por trás de um não menos santo crucifixo e também, como não poderia deixar de ser, o santo sudurário e o santo prepúcio estes últimos, feliz ou infelizmente (deixo a cargo do leitor) os únicos a vararem os séculos e chegar até nós, sendo este visto pela última vez lá pelo ano 83, numa perdida cidadezinha italiana de nome Calcata, numa caixinha de sapatos, na casa de um cidadão-padre de nome Dario Magnoni. E era público e notório que todos os 1°s de janeiros o santo prepúcio era posto dentro de um relicário e exibido aos fiéis.
Certo também que, de repente, em determinado e anterior momento histórico, nada menos que dezoito cidades européia, ao mesmo tempo, exibiam o santo prepúcio, chegando uma delas, a vila francesa de Auverne, a possuir dois! Mas, nenhum, nenhum mesmo foi tão famoso como o de Calcata.
Pois é, mêirmão! O pior é que, segundo a reportagem, por mim lida boquiaberto, lá pelos anos 800 o santo prepúcio foi entregue por um anjo ao imperador Carlos Magno que mais tarde o presenteou ao papa Inocêncio III. Quando Roma foi pilhada, em 1537, sumiu a santa relíquia, reaparecendo trinta anos depois naquela cidadezinha itálica, durante muito tempo continuando a ser venerada, muito embora tenha a Igreja Cristã Católica Romana abolido a Festa da Circuncisão.
Aliás, o maior suspeito do sumiço da relíquia é o próprio padre Dario Magnoni, que a teria levado para o Vaticano e presenteado ao para de então, recusando-se ambos e a Igreja a falar sobre o assunto.
Pois é, mêirmão, assunto encerrado. Mas, o pior é que nós ainda conseguimos dormir com um barulho desse.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

MARCO ZERO DE QUE/

Marco zero de que?


Como é público, notório e sabido por todos os que fazem parte deste azulado e periclitante Planeta, no dia 11 de setembro do ano 2001 da era de Nosso Senhor Jesus, o Cristo, o ilustríssimo e nosso atual segundo senhor, o paspainho lá do Norte, foi gravemente atacado por quatro possantes aviões comerciais que, seqüestrados pouco antes, certeiramente foram endereçados para pontos de destaque em seu imenso corpanzil: o tal do prédio das cinco pontas (o centro da inteligência do mundo!), as torres gêmeas (o centro comercial do mundo!) e a casa branca (o centro das liberdades democráticas do mundo!).
Todos sabemos também que deles apenas um não alcançou o seu objetivo, o dirigido àquela imaculada alvura porque, para desespero dos que o pilotavam, foi abatido antes de lá chegar.
Naquele dia o mundo “se estarreceu-se”. O mundo, disseram, mas não acredito. Quiçá o Universo! Ah, sim, o Universo! Agora acredito ... menos eu, diga-se de passagem!
Aliás a notícia foi a mim dada da seguinte maneira, por um amigo: “Accioly, os Estados Unidos estão sendo atacados!”, no que retruquei: “tás maluco, amigo, tás maluco!”, no que completou: “sério, sério!”.
Fiquei ainda duvidando por algum tempo até que, já em casa, à noite, através das imagens televisadas, constatei a realidade do inacreditável que afinal poderia – incrível! - ser crível.
Como sempre - porque é do seu interesse - a colossal vítima ao mundo mostrou exaustivamente as torres implodindo “mundo abaixo”, fato por ela dado como verdadeira catástrofe.
Mas, será que realmente foi uma catástrofe?
Bem. Ainda hoje, sete anos depois, quando revejo as cenas ponho-me, de fato, impressionado. Mas, confesso, não impressionado com os aviões nelas se chocando; não impressionado com as magníficas explosões; com as garotas desabando e, muito menos, com o ensurdecedor estrondo e a sufocante e imensa nuvem de poeira que a tudo se seguiu.
Também não me impressionam as correrias, os desesperos estampados nos rostos daqueles que a tudo presenciaram, enfim, as cenas de horror com horror pelo mundo todo vistas e que a todo mundo causaram tanto horror. E o pior. Não me impressionam o impressionante número de pessoas que sucumbiram à catástrofe, contabilizadas em pouco menos de três mil e quinhentas.
Não. Nada disso me impressiona. Mas, não me impressiona mesmo! Não me im-pressiona porque de longe tenho visto, ou imaginado - o que é pior - durante essa minha curta estada por este cantinho do Universo, cenas verdadeiramente estarrecedoras que, confrontadas com as do onze, nada representam estas.
As de Nagazaky e as de Hiroshima, por exemplo; a daquela garota correndo nua, em minha direção, braços aberto em forma de cruz despingunhada, toda queimada pelos efeitos de bombas; as dos habitantes de Herculano e Pompéia, soterradas pelo Vesúvio; as de Java e Sumatra, quando da erupção do Krakatoa; as havidas na Batalha de Poitiers, em 732; as do chamado holocausto, dentre tantas que notícias tenho.
Então - deve estar pensado quem se dedica a ler e entender o que escrevo - nada o impressiona na catástrofe do século? Nada?! Não é possível! - continuará a julgar - porque, afinal, Accioly, você não pode ter um coração tão empedernido a ponto de não se sensibi-lizar com nenhuma daquelas cenas horrendas, dantescas, medonhas, enquanto outros humanos cobrem os olhos com as mãos e choram só em nelas pensar.
Pois é. Falando a verdade, o que me impressionam são apenas duas simples coisas que, a meu ver, daquela catástrofe tornaram-se suas essências. Uma, o fato de humanos terem pilotado aqueles aviões e agido como agiram na certeza de que iriam morrer. Outra, o fato de humanos terem pulado de uma altura tão alta na certeza de que iriam morrer.
Morrer é ato simples espremido entre frações de milésimos de segundo. Entretanto, não o ato em si causa pânico ou prazer ao humano, mas a crença pela qual algo poderá do ato decorrer.
E isso de fato me impressiona. Afinal, o que pensaram os infelizes cristãos naqueles últimos momentos de suas vidas? E o que pensaram, um pouco antes, os felizes islâmicos ?
O que pensaram?... A resposta está exatamente na cultura dos que pilotaram e na cultura dos que pularam. Na cultura, e não neles. E cultura ultrapassa o pensar do próprio indivíduo.
E isso me impressiona. Me impressiona e, até certo ponto, me causa medo. E me causa medo porque, mesmo afrontando o perigo da generalização, posso afirmar que há, pelo menos em tese, neste ainda belíssimo Planeta, cerca de um bilhão e trezentos milhões de supostos pilotos muito provavelmente dispostos a alegremente morrer pelo que pensam e defendem, e cerca de outro tanto dispostos a pular de qualquer altura contanto que tenham, de qualquer modo, mais uns segundinhos de vida.
E isto é fundamental para ambas as culturas dispostas a se engalfinharem em qualquer plano, a qualquer momento: a certeza do pós-morte para uns e as inseguranças do pós-morte para outros.
Ter na morte a certeza de ir para um lugar aprazível, qualquer que seja ele, que nome se lhe dê, dá a qualquer um o despreendimento e o desprezo pela vida. Ter na morte a incerteza do que virá depois faz qualquer um querer aqui ficar, pelo menos por mais aqueles segundinhos, mesmo sabendo sejam breves, pois enquanto eles passam, seja de relance, poderá pensar: talvez alguma coisa aconteça e eu continue vivo!
E daquela forma ainda pensam os que pilotaram. E dessa forma ainda pensam os que pularam.
Aliás, o confronto entre uns e outros, cujas forças pela primeira vez se chocaram em solo europeu que, por um triz, não passou para o domínio dos pilotos, numa disputa por ele palmo a palmo, é milenar. E foi renhida a luta dos que pularam para, afinal, oitocentos anos depois, conseguirem sair da camisa de força imposta pelos que pilotaram. E isto sem se falar da tal das Cruzadas e da última encabeçada por aquele maluco D. Sebastião.
E de uma contenda daquele magnitude certamente teriam de ficar, através dos tem-pos, feridas jamais cicatrizáveis, feridas que estariam fadadas a supurarem aqui a ali a fim de mostrar sempre que algo não vai muito bem entre ambas as facções. Feridas que parte dos humanos - creio - tenta, a todo transe, fazer sarar mas que, outra parte, mesmo infinita minoria, sabe como mantê-las abertas, vivas, aviventando ódios, dessa forma mantendo-os através dos tempos, para em futuro propício explorá-los, manipulá-los e usá-los ao seu bel talante, em proveito próprio, porque sabem como lidar com os mais diversos meios para assim ser, dentre eles a invenção da figura do tal marco zero, de que já hoje tanto se fala.
“marco zero” para que? “marco zero” de que? Do Planeta? Duvido! Afinal, estupi-dez também tem limite e a humanidade não pode ser tão estúpida assim! Eu mesmo, que dela faço parte, nunca o terei como marco zero de nada! E com certeza não serei o único a assim pensar. No meu entender tem muito mais valor aquele chinesinho que parou aquela coluna de tanque (fato que verdadeiramente me emociona, que me dá um nó na garganta e que empurra uma lágrima nos meus olhos) do que aquele pedaço de chão lamacento, que só interessa a ricaços especuladores imobiliários. Nem ele nem a simbologia que querem a ele emprestar a mim interessam.
Bem, argumento ainda, só se for o marco de um zero para eles, particular deles, dos nossos amiguinhos lá do Norte, hoje achando-se na obrigação de vigiar, vis a vis, seis milhões de pilotos em seu território. Afora no Planeta!
E não me venha convencer que o tal marco está se tornando um apelo a não violência porque impossível é apagar a chama da violência mantendo-a viva através de qualquer lembrança, de qualquer símbolo.
Talvez um Marco Zero – insistirá o meu amigo leitor - a fim de para toda a eterni-dade tornar os nossos megalomaníacos do Norte uma vítima indefesa dos maldosos ataques da tão falada rede mundial de terrorismo, a Al Qaeda.
É ... pode ser ... pode ser porque também os incautos piamente ainda hoje acreditam no traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbour; ter sido a Alemanha a única culpada pela I Grande Guerra; Hitler, um monstro; Satlim, também; Nixon, do Watergate, um santo; que os negros de lá hoje vivem muito bem e respeitados como cidadãos e que lá é o paraíso da Democracia.
Sintomático, não? Um país altamente democrático, ímpar na defesa das liberdades democráticas em todo o Universo, mas tão atraiçoado. Que peninha! Só sendo sina mesmo!
Bem, seja lá como for, tenho que o Sr. Bin assim agiu porque deve ter tido lá as suas razões. Afinal, um grande inimigo não se ataca de frente. Que o diga a defunta Guerra Fria, tempo em que os dois mega-terroristas se corroíam pela periferia.
Ora, ora, pois, pois! E porque não o Russian Towe, na Rússia; o Incheon Towes ou o Suyong Bay Tawer, na Coréia do Sul; o Burj Al Alarm, no Emirados Árabes ou o Ningbo Twin Towers, na China, dentre tanto outros arranhacéus que tem o Planeta?
Quem sabe um mínimo de História da Humanidade – um mínimo! – conhece a relaçõe de amizade entre o pai do Ilmo. Sr. Bin-inho com o pai do Ilmo. Sr. Bu-inho e a deterioração de tal amizade. Também conhece a relação da amizade entre os dois B-nhos, a deterioração dela e o que passou a pensar um do outro.
Se souber, tanto melhor porque tanto melhor me compreenderá.
Pois é, amigo. A catástrofe do onze teve causas mediatas e imediatas. Não foi só o alguns malucos doidos montarem em aviões e adoidadamente saírem por aí avuando a fim de jogá-los no primeiro bloco de cimento armado que encontrassem pela frente. Também com certeza não tenha sido o Ilmo. Sr. Bi-inho com sua rede terrorista Al Qaeda o único culpado em toda essa história.
É só saber e refletir.
... Sabe? Refletiu? Muito bem. Agora só cabe a mim me voltar para mim mesmo e sonhar: dentre tantos marcos zeros que por aí há, também estou pensando em fabricar o meu. Que tal pô-lo no dia em que nasci? Tenho todo o direito, não? Afinal dizem que Nero, o Romano, ao estar morrendo disse: “Que grande artista o mundo vai perder!” Bolas! Posso ou não posso também dizer, com toda a minha sinceridade da minha vida.
- Que grande homem o mundo ganhou com o meu nascimento! E isto, apenas isto, já é ponto pacífico para mais outro marco zero na História da Humanidade.
Não?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

E porque não abominaria?

E porque não abominaria?


Somos um país das Constituições. Em pouco mais de cem anos oito até agora catalogadas: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969 e 1988. Isso sem falar dos chama-dos intrigantes Atos Institucionais que, para alguns entendidos no assunto, a elas equi-param-se.
Se ou não, aqui não me cabe avaliar mas, o certo é que cada uma tem lá a sua História que num pequeno artigo como este não me apraz narrar.
Umas, como a de 1824 e a de 1967, são de “arrepiar cabelo”. Outras, como a de 1937 e a de 1969, aquela “feita a dedo” e esta surgida de um “passe de mágica”, ressuscitam qualquer Lázaro! Mas também há as boazinhas, “democráticas”, tal a de 1934 e a de 1946, como também há uma “super democrática” também chamada “cidadã” que está viva e andando por aí. Cambaleando, é certo, mas está. E ainda bem que “ta” porque, mesmo “tando”, as coisas ainda “tão como tão”, imagine se não tivesse!
Um estudo mais acurado sobre nossas Cartas leva-me a deduzir que tanto podem ser “aterrorizantes”, também chamadas “autoritárias ou outorgadas” (desculpe o ou-ou), neste grupo inseridos os Atos Institucionais, como “não aterrorizantes”, também chamadas “não-autoritárias, democráticas ou promulgadas”, subdividido este grupo em “democratizante”, como as de 1891 e 1934, “re-democratizante”, como a de 1946, e “re-redemocratizante”, como a de 1988.
Complicado, não? Não se preocupe o leitor. É que no Brasil, quanto mais se complica e se oculta do povo mantendo-o inculto, melhor. O povo é que menos entende e o povo nada entendendo “aí” é que Eles “deitam e rolam” na ignorância alheia.
O interessante é que qualquer uma delas foi tida, ao tempo em que vigia, como democrática. Mesmo as de 37 e 69! É que, neste país, em nome da tal Democracia Brasileira, se faz de tudo!
Aliás, costumo dizer que se algum dia eu tivesse a ventura de encontrar essa Dona Moça passeando “pelaí dando de bobêra” certamente eu a espicalharia em miríades de infinitesimais pedacitilhos, tendo ainda o cuidado de jogá-los aos Quatro Ventos da Terra para que jamais uma egípcia Ísis da vida conseguisse reuni-los e refazê-la. O mesmo faria com sua irmãzinha e inseparável amiguinha, a Srta. República Brasileira. Isto sem falar no seu priminho e inseparável amiguinho Presidencialismo que, na minha visão muito pessoal, junto com elas, forma um tripé que ... “cá pra nóis ... ninguém merece”!
Atente o leitor que a primogênita “foi morta” já sexagenária, o mesmo não ocorren-do com as de 1934 e 1967 que, coitadas!, só tiveram o prazer de chamar “papá” e “mãmã”! As outras contaram com um pouco mais de sorte.
E os seus Donos, cada “uns” em suas épocas, sempre desrespeitaram-nas. Sempre! E a que aí está não fugiria à regra.
Não há negar o que afirmo. Citar exemplos seria por demais cansativo.
Pois é. Enquanto o tal “desrespeito” toca no povo ... o povo que se dane. Que se dane mesmo! Por exemplo: Assassinatos nos presídios, quando Eles nela escreveram que “é assegurado aos presos a integridade física e moral”; amontoamento de pessoas em hospitais como se fossem rebotalhos humanos, neles faltando tudo, tudo, quando Eles nela escreve-ram que “A saúde é direito de todos e dever do Estado; Sistema de Educação cada vez mais formando “analfabetos funcionais” quando Eles mesmos nela escreveram que “A educação (é) direito de todos e dever do Estado; Insegurança Pública atingindo às raias do insuportá-vel e você ainda sendo “convidado” a “não resistir” diante do cano de um revólver empunhado por um bandido qualquer, mesmo em defesa de sua vida, seu único e último bem, milhares de mortos mortos como cachorro, quando Eles mesmos nela escreveram que “São direitos sociais ... a segurança...”
Mas, é claro. Seguros estão Eles, jamais nada Lhes acontecendo. Também, pudera! Carros blindados, seguranças particulares ou pagos por nós e quejandos.
O desrespeito chega a tal ponto que se torna uma inominável piada. Senão?!
Nela Eles mesmo escreveram: “A Imprensa Nacional e demais gráficas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, promoverão edição popular do texto integral da Constituição, que será posta à disposição das escolas e dos cartórios, dos sindicatos, dos quartéis, das igrejas e de outras instituições representativas da comunidade, gratuitamente, de modo que cada cidadão brasileiro possa receber do Estado um exemplar da Constituição da Brasil”. (Grifos meus).
Por acaso o amigo leitor se considera um “cidadão brasileiro”? Se sim, então não perca tempo homem e, por favor, imediatamente saia correndo porta à fora e vá num desses lugares “pegar” o seu exemplar, gratuitamente. Gratuitamente (desculpe a repetição) significa dado ... dado! E o que é dado não custa nada!. Nadicas de pitubirúfas! Nem um “derréis de mel coado”. E dado, amigo, até injeção na testa vale!
E então? Não levantou-se? Tá rindo? Mas eu o adverti que era uma piada!
Desculpas amarelas, cínicas, aconchambradas, protelatórias, impúneis e desrespeito-sas são dadas a cada momento por cada um Deles quando Lhes é, goela abaixo, enfiado um “capitador de vóis” num “encontro de amigos” chamado “entrevista”. Nelas fazem tudo para aparecer, para estar em evidência, na “mídia”.
Que me vejam bem ou mal. Eu quero tá é “na evidência”!
Agora, se tocar no “calo” de um Deles a coisa muda de figura e se torna, simplesmente, no dizer de qualquer um Deles, “abominával”. Por exemplo: “botá um grampinho” numa simples “conversa” telefônica havida entre Eles ... é abominável!
Abominável significa detestável, ou seja, o que deve ser detestado, não querido, odiado por todos os seres humanos, abominado. A-b-o-m-i-n-a-d-o, entendeu? Inclusive por mim.
E eu, tim-tim-por-tim-tim seguindo a idéia Deles, afirmo que abomino o que é abominável. Mas, abomino mesmo!
E p’rá começar abomino, não o “grampo” no Supremo Tribunal Federal, mas os seus “feitores” e os “conversadores” pois uns violaram a Lei e os outros a moral e a dignidade do brasileiro, haja vista a “conversa grampiada”, não só ter sido uma grã piada, como também não foi nada edificante para os que ocupam tão altos postos em nossa pátria.
Abomino o fato Deles, com suas filosofias quase ininteligíveis, de Direito e de Moral, me induzirem a mim respeitar as Leis que Eles mesmos de qualquer modo fizeram ou contribuíram para que fossem feitas e as desrespeitam, certos da impunidade, muitas delas céleres saído do papel apenas para favorecerem a Eles, e só a Eles.
Abomino os que fazem Leis “doidas, aleijadas e erradas” como aquela do Divórcio, ou “com brechas” porque delas se prevalecem para, impunemente, tripudiarem sobre milhões de seres humildes.
Abomino também os que, de qualquer forma, contribuem para não serem Projetos transformados em Leis, Projetos que mofam pelas gavetas do Legislativo Federal desde o século passado e que, se Leis, certamente sanariam graves problemas de corrupção no país, corrupção que pelo ralo faz escorrer, anualmente, cerca de 160 bilhões dos cofres públicos. Corrupção que Neles mantém a chama viva de quererem, a todo transe, galgar mais um degrau, ocuparem e permanecerem, por toda a vida, nos lugares onde estão mas, também Projetos que, se Leis, se voltariam contra Eles próprios implacavelmente flagelando-os. O pior é que, segundo um outro afirma “aparentemente não há motivo para não colocar esses projetos em votação”.
Abomino quando qualquer desses “dignitários”, com “cara de Amélia” afirma isso ocorrer porque “não há vontade política” sem explicar, contudo, detalhadamente para que o povo entenda, o que vem a ser isso. No mínimo deve “faltar vontade” porque faltam políti-cos pois, como sabemos, grande é a diferença entre patifes, políticos e politiqueiros, política e politicagem.
E abomino outras coisas não melhores que estas, mas impossível enumerá-las a fim de esgotar a minha íntima “abominação pelo abominável”!
Abomino quando Eles praticam o nepotismo, organizando o que Eles mesmo cha-mam de “República dos Parentes”. Quando um Presidente do Senado, referindo-se aos seus pares, afirma que “Eu acredito que os senadores vão querer cumprir a lei. Não tenho dúvida de que eles não vão usar de subterfúgios para fugir a isso.” Ou então “Acho que os parla-mentares vão cumprir a lei”.
Abomino! Abomino porque tenho sensibilidade. Abomino porque sou brasileiro. Abomino porque nasci sob a égide de uma Democracia Brasileira capengadamente aconchambrada ao bel talante daqueles que, num determinado momento histórico, estão no Poder a fim de satisfazerem seus interesses, apenas seus próprios interesses.
Abomino, enfim, porque nada posso fazer para minorar o mal que nos corrói como um cancro o faz na carne, a não ser este pequeno grito, mesmo sabendo ser ele por poucos, por muito poucos, ouvido.
Mesmo assim vale a pena!

Seja cidadão e vote

Seja cidadão e vote


Como não poderia deixar de ser a palavra voto vem do latim “votum” – promessa, oferenda, juramento.
O voto pode ser direto ou indireto. Quanto à forma de representação pode ser aberto ou a descoberto e secreto. Quanto aos seus efeitos pode ser majoritário e pelo sistema de representação majoritário.
“Complicô”, amigo?! Não se preocupe. Descomplique-se consultando a minha inseparável, mas hoje por todos relegada ao ostracismo, Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo em 1967, época dos Generais, editada pela Companhia Nacional de Material de Ensino, cujos verbetes vão de “Abandono” até “Zona”. Também consulte, só para “ilustrar” os seus conhecimentos, o seu “priminho” e meu também ainda hoje inseparável Brasil, Realidade e Desenvolvimento, de 1973, belíssimo trabalho “didático-educativo” que contou com a colaboração, inclusive, de “membros da Escola Superior de Guerra” sendo, à época, de uso obrigatório nas Universidades do país. E – o que fazer? - lá estava numa delas com ele debaixo do sovaco. E para fechar com chave de ouro as minhas “dicas”, depois que você “traçar” os dois, passe uma “ouçazinha” na música “Como nossos pais”, na interpretação da saudosa Elis Regina. Se você, ao ouvi-la, perfeitamente entender cada palavra da letra, inserindo-as no contexto histórico em que foi escrita, bem como a interpretação dada pela cantora ao transmiti-las para você, e se você conseguir atingir as raias da emoção, certamente você estará começando a entender “certas coisas” que de há muito entendo mas que você ainda nem cismava de entender.
A propósito, também existem outros tipos de voto que não sei porque a minha Amiga não relaciona mas que aqui os lembro eu: de Minerva, de Cabresto, de Castidade, de Interesseiro, de Trôxa, de Crédulo, de Duplicidade, de Morto ...
Bem. Deixando essa parte à parte, vamos ao que interessa.
Lá pelo meio do verbete “voto” assim está escrito: “O voto é um direito mas também é um dever cívico e moral. Constitue assim grave culpa cívica e moral não votar naquele que a consciência indica como mais honesto e mais competente. Por isso, na escolha do candidato, ninguém pode deixar-se levar por interesses pessoais, mas deve inspirar-se exclusivamente nos imperativos do bem público. O candidato que, de qualquer maneira procura obter votos pelo suborno ou demagogia, não é digno deles.” Nota: grifei em itálico algumas palavras por tê-las como chave para o bom entendimento do que está escrito.
Bonito, muito bonito, não acha? Eu também ... e enfadonho.
Aliás, quem se complicou agora fui eu, pois, pelo que entendi, salvo melhor juízo, o voto é um “direito/dever”!
D-i-r-e-i-t-o d-e-v-e-r?!
‘Spera lá! E direito não é uma coisa e o dever, outra? Não são diagonalmente opostos? É! É sim! Um é facultativo – exerço se quiser – o outro cumpro, quando exigido, é claro. Portanto, um ato não pode ser, ao mesmo tempo, um direito e um dever. Entretanto, se eu confrontar o que me diz a minha Enciclopédia com a realidade brasileira ponho-me, no mínimo, zarolho.
Quer dizer que é um direito meu votar (vou porque quero ir) ao mesmo tempo sendo obrigado a votar (vou mesmo não querendo ir)? Vou reclamando porque estou indo. É isso? Se for, realmente complicou porque, pensar num ato que ao mesmo tempo é um direito e um dever é o mesmo que pensar num triângulo quadrado! E eu não consigo formar na mente a imagem lógica de nenhum dos dois.
O leitor consegue?
Raciocinemo-nos por outro ângulo. A Lei concede “a eu” o direito de votar. Lá vou eu “votá porque é um direito meu”. A Lei concede “a eu” a obrigação de ir votar, e lá vou eu “votá por obrigação”, e se eu não for exercer a minha “obrigação de votá” sou “castigado” pagando uma multa (desculpe o “mamul”). Oi! E lei “concede obrigação”?! Concede ou exige?!
Confesso que nada entendi! E não vou tentar entender. Eles lá, os “Donos das Leis e do Poder” que entendam. São sapientérrimos. Eu cá é que sou Burro e disso estou Convencido. E por ser Burro e Convencido “lá vou eu, mais uma vez cumprindo o meu direito/dever, votá”.
O leitor entendeu?
O pior é que as coisas não ficam por aí.
Relativamente à palavra “cidadão” a minha Amiga tem a me dizer o seguinte: “... o termo indica todo membro de uma comunidade nacional, sujeito aos deveres por ela impostos e gozando dos direitos por ela atribuídos.” (Itálicos meus, novamente).
Complicô ôtra vêis” E como “complicô”! E o que me complicou foi ela. Ela, a desesperada da Enciclopédia. Realmente confesso que, confrontando mais uma vez o que diz ela com a realidade brasileira, estou com a mente “baracafunzada”! Se cidadão é isso, então no Brasil há “meio cidadão”! O “mais pior ainda é eu” não saber se das seis metades dele qual a que prevalece. A da esquerda ou a da direita, se cortado de cima a baixo; a de cima ou a de baixo, se cortado pelo “imbigo”, ou a de detrás ou a da frente, se aberto em bandas.
Pois é. Se cidadão é aquilo lá, o analfabeto no Brasil é “meio cidadão”. “Meio” porque cumpre o dever/direito de “votá” mas não exerce o direito/dever de ser votado. Oi! E pode?! E pode se ser um cidadão, na acepção do verbete, apenas se exercendo um suposto direito/dever? Vôôôôte! E o direito dele de ser votado p’rá onde foi? P’ru brejo?!
Sacratíssimo Jesus! E olhe que eu sou inteligente!
Por outro lado, direito não se concede pela metade. Ou todo ou nada. Imagine a mãe permitir o filho ir ao cinema a ele concedendo: “Pode ir”, mas ordenando, “volte do meio do caminho”! Quer dizer, se a tal da Lei junto com a Moral dão a mim o conceito de cidadão, para sê-lo há de exercer ele todos os direitos inerentes a todos os cidadãos, não é mesmo?
Puxa! É de se sacudir violentamente a cabeça para os lados, morder os lábios e pensar: Pô!
Aliás, está em moda fazer com “alguns” candidatos aquilo que a minha professora, a saudosa D. Perpétua, no primário, lá no Grupo Escolar Clóvis Beviláqua, bem em frente à Praça do Hipódromo, fazia com todos os alunos da minha classe, semanalmente: um escrito qualquer, um ditado, uma cópia, um bilhete, uma cartinha ... Naquela época não havia “desastres” mas, hoje! ... E com tristes e cândidos cortes em inúmeras candidaturas, desesperançando algumas dezenas de candidatos que muito bem, mesmo com o seu humilde analfabetismo, poderiam dar, como sempre deram, as suas contribuições para a Pátria Amada.
Pois é! E aqui vão perguntas, sugestões e conclusões. Porque não com todos? Se a Lei, no dizer de todos, é para todos e proíbe o meio/cidadão ser candidato, o teste deveria ocorrer em todos os níveis, na proporção do cargo pleiteado, quer dizer, fácil para o candidato a “Vereador dos Cafundó”, mais difícil para o Prefeito, um pouco mais para o Deputado Estadual ... e dificílimo para quem pretende ocupar a Presidência, porque só se sabe não ser alguém analfabeto testando, não é mesmo? O candidato à presidência deveria ser submetido a um teste que de testa testasse a sua master-hiper-ultra-máxima-sapiência. Bolas! Afinal de contas ele, muito mais que o “vereador dos Cafundó”, irá – se a forças das armas permitirem e seus apaniguados deixarem – dar rumo aos destinos de uma Nação, o que não é brincadeira. Tais testes poderiam ser, como todos os outros hoje em dia são, na base do “xis”. (Veja como você sorriu ao pronunciá-lo). E porque não? Lançada sobre eles, cuidaria a Sorte do resto, candidatando-se quem mais ela abraçasse, não é mesmo? E se assim fosse, talvez melhor seria.
Eu mesmo, através de imagens, conheço um homem que dizem ser analfabeto e que ocupa um alto cargo público!
É isso aí, amigo. Fique certo de que, no Brasil, ao que parece, só voto de castidade não mais existe porque, com ela, já se foi há muito tempo. E o de urna? Bem, esse com certeza só tem valor para o candidato e para o que está, de qualquer forma, seguro de que, eleito ele, vai lhe trazer benefícios pessoais, particulares, para si e para os seus. O Bem Público lá do verbete que se dane. Honestidade e Competência, também, pelo simples fato de que sobre elas impunemente ainda prevalecem e tripudiam o Suborno e a Demagogia.
E é por isso mesmo, meu amigo, que lamentavelmente a grande “massa votadora” quer deles, dos “didadões inteiros”, a todo custo, tirar o máximo proveito antes das eleições porque, depois ...
E eu, meu amigo? O que digo eu quanto a mim mesmo?
Enquanto prevalecer no meu Brasil essas esdrúxulas situações que supostamente pretendem me fazer de “trouxa” porque são eles os “sabidos” continuarei sempre, como desde aquela primeira vez em que compareci às urnas, apenas cumprindo o meu dever.
Quanto a exercer o meu direito, essa é outra história.